Ela dizia que só era feliz à chuva (não, isso não era eu que dizia, era a Shirley Manson), que se sentia feliz a cantar à chuva (não, isso não era eu que dizia, era o Gene Kelly), que alegrava-a ouvir a chuva por esta ser o templo estar aceso (não, isso não era eu que dizia, era o Pessoa), que gritava à cidade qualquer coisa acerca do fogo do amor sob chuva (não, isso não era eu que dizia, era a Mariza, e não era qualquer coisa, era que "o fogo do amor sob chuva há instantes morrera"), ou sob nuvens semelhantes que espalham os seus lençóis vagos (não, isso não era eu que dizia, era a Sylvia Plath, e duvido que tivesse alguma coisa a ver com chuva), que se recordaria dos meus cabelos de chuva (não, isso não era eu que dizia, era o Ruy Belo), que me ofereceria pérolas de chuva vindas de um país onde não chove (não, isso não era eu que dizia, era o Brel), que nós caminhariamos e conversariamos em jardins humedecidos pela chuva (não, isso não era eu que dizia, era o Jeff Buckley), que depois da chuva a roupa secaria sobre os nossos corpos por não termos outra (não, isso não era eu que dizia, era a Sophia, mais coisa, menos coisa).
Então o que é que tu dizias?
Eu dizia que a chuva de hoje era uma benção, que lavaria as ruas secas e imundas, que purificaria o ar, que me permitiria respirar melhor, que talvez até atenuasse a minha dor de cabeça. Mas isto foi antes de me lembrar de toda a roupa que ficou estendida lá fora.
2 comentários:
Eu diria que a chuva veio para me lembrar como gosto que chovas em mim.
Tudo aqui é bom, com ou sem chuva.
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